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Delamar Corrêa Mirapalheta
Advogado, Radialista e Vereador. Natural de Rio Grande, nascido no Taim, foi vice-prefeito e prefeito do Município.


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TREM VERSOS PEDÁGIO

quinta-feira, 22 de Setembro de 2011 | 14:17

Nosso país tem andado fora dos trilhos. Literalmente. Na Contramão das verdadeiras e naturais vocações de um povo para a arte, cultura e turismo, há muito nossa decadente, melancólica e altamente suspeita classe político-administrativa nos faz vítimas dos equívocos de uma política rodoviarista, deixando o trem à própria sorte. A partir da década de 50, uma conjugação de descanso, burrice, safadeza e incompetência, foi sucateando nossas ferrovias, destruindo um patrimônio econômico, tecnológico, cultural e afetivo de valor inestimável.

Somos, de fato, um povo carente, tolerante e de memória curta. Sem memória mesmo, sob certos aspectos. Estações, muitas delas verdadeiras jóias arquitetônicas, em torno das quais nasceram cidades, foram condenadas à morte pelo esquecimento e pelo desrespeito. Locomotivas e vagões foram canibalizadas. Dormentes apodreceram, trens foram suprimidos. Arrancaram trilhos e colocaram asfalto, com uma gula ( onde se incluíram, e se incluem até hoje, deliciosas comi$$ões) pouco vista no resto do mundo. Um verdadeiro crime lesa pátria (e lesa bolso do cidadão). Portanto, cabe-nos, agora, pagar a conta desse desvario: nossa matriz de distribuição modal dos transportes é perversa, com o predomínio absoluto do transporte sobre pneus. Uma festa para as multinacionais do petróleo, para a indústria automobilística, para as empreiteiras (claro que para os políticos que intermediaram as transações), para os frentistas e para o negro índice de roubos, acidentes e mortes nas estradas brasileiras, e seu embrutecimento estético.

Ainda há esperança, porém. Das cinzas de um passado glorioso e de um presente nebuloso, podemos ainda resgatar o trem do futuro. Antes que seja tarde” ( Trecho do manifesto escrito pelo cantor e compositor brasileiro Ivan Lins, por ocasião do segundo seminário sobre preservação ferroviária, realizado em Piracicaba – SP)

Aqui mesmo em nossa cidade assistimos de braços cruzados e em silêncio, mais um desatino contra a malha ferroviária brasileira. O trecho Quinta-Rio Grande, particularmente do viaduto próximo ao presídio até a estação central foi desmanchado. Assim, uma das opções de transporte de massa, eficiente e barato, ficou irremediavelmente prejudicada. Não se trata tão somente do transporte urbano de passageiros ou ainda da exploração do turismo ferroviário, mas inclusive da possibilidade de implantação do chamado “trem de vizinhança”, ligando Rio Grande-Pelotas. Mais ainda, com a instalação do aterro sanitário nas imediações da Lomba da Quinta, mais precisamente no cruzamento da ferrovia com a RS-392, por razões logísticas e econômicas, impunha-se a utilização do transporte ferroviário dos resíduos coletados. Perdeu-se essa opção em favor do transporte rodoviário, mais caro para os contribuintes.

Isso explica a política rodoviarista implantada e mantida pelos sucessivos governos republicanos. Ao tempo em que extinguem as linhas férreas, criam pedágios, transferindo os minguados recursos dos cidadãos para o caixa das famigeradas concessionárias. A conta de estradas sem adequada conservação e sinalização, ou ainda pelo intenso uso, milhares de vidas humanas continuarão a serem ceifadas

De fato, tem muita razão o Ivan Lins quando diz que estamos na contramão da história. Enquanto os países desenvolvidos investem no transporte ferroviário, o nosso, pela inspiração de políticos comissionados, dobra-se aos interesses das empreiteiras, indústrias automobilísticas, multinacionais do petróleo e cartéis de transportadores rodoviários.

 

* Advogado


Escrito por Delamar Corrêa Mirapalheta

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LEÃO DA CAPILHA

quinta-feira, 15 de Setembro de 2011 | 10:38

O que se seguirá é um debate entre o meu ego e superego. Por favor, acompanhe, mas não interaja. A briga é entre nós.

- E ai leão? Pergunta o ego, valeu apenas viver e defender os valores éticos e morais que elegestes como cláusulas pétreas da tua existência?

- Sim! Se outra oportunidade de vida me fosse ofertada faria tudo igual. Admito alguns ajustes aqui e ali, mas apenas para corrigir frouxidões.

- Definitivamente eu não entendo. Tivestes a soberba de pretender ser um Deus entre os mortais, assumindo para ti a obrigação de resolver os problemas deles. Tinham fome, dividias o alimento, compartilhavas da dor, enfim, imprudentemente não acumulastes qualquer recurso sobressalente. E agora Leão da Capilha, diante do teu próprio infortúnio o que fazer? Olha para a tua imagem refletida no espelho e te surpreenderás vendo que o leão não passa de um gatinho velho e assustado.

- Já fiz isso e não me vi assim. Um pouco envelhecido e adoentado, mas ainda um leão.

- Tu me provocas risos e compaixão. As tuas leituras da vida e dos homens sempre foram equivocadas. Cai na real, para usar as tuas próprias palavras, na melhor das hipóteses és um gato um pouco envelhecido e adoentado.

- Continuas perverso, cáustico e injusto. Do que me acusas? Bem sabes que sempre busquei ser bom, justo e solidário com o meu semelhante. Dediquei o melhor das minhas forças físicas e intelectuais em favor do bem comum. Tu és testemunha ocular que geri com probidade e esmero tudo que me foi confiado em razão dos cargos públicos que ocupei. Nunca e tu sabes disso, tirei qualquer proveito ilícito. Sempre, obstinadamente, otimizei os recursos públicos em favor do interesse comum, do povo em geral.

- Eu sei e os outros? Deixa que eu respondo. O que eles sabem é que fostes condenado por improbidade administrativa, cuja pena, entre outras coisas, te impôs a perda dos direitos políticos por cinco anos e por consequência a extinção do teu mandato de vereador. Encara os fatos. Por mais injustiçado que te sintas, do ponto de vista do judiciário tu és um improbo. Tu sabes que os efeitos dessa sentença transcendem em muito as questões meramente civis. Afetaram a tua integridade moral, quebraram a relação de fidúcia indispensável ao exercício de mandatos eletivos e comprometeu a relação interpessoal no mundo dos negócios, incluindo-se ai o exercício da tua profissão. Para resumir, sem ofensas, tu és um párea.

- Tenho consciência disso, mas o que me dói é ouvir isso do meu próprio ego, cuja função é a de harmonizar os desejos com a realidade e posteriormente submetê-los a minha aprovação.

- Tu, que exerces o juízo supremo dos meus atos, sabes da lisura com que foram praticados. Sinceramente, em que pese a tua natureza contestadora, eu esperava, pelo menos desta vez, que estivéssemos acordes. Foi uma sentença iníqua, lançada fora dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Nós sabemos que essa execução moral não engrandece o acusador e a julgadora. Só nós sabemos os motivos íntimos que desencadearam essa fúria destruenda. Divergências políticas e ideológicas estão na origem desses episódios. De um lado o acusador, descompromissado com a justiça e na firme crença de que seu ministério resume-se ao ato acusatório. De outro a julgadora, confrontada no seu poder quase sem limitação temporal, reafirma-o de forma deletéria em relação a pessoa do acusado.

- Não seja ridículo. Esse discurso, como dizem os advogados, faz parte do jus esperniandi. Tu és político e ninguém vai te dar razão. Essa casta divina formada por juízes e promotores tem o irrestrito apoio de todos os súditos que vem nos políticos a causa de todas as mazelas da humanidade.

- É verdade. Tive a minha dignidade enxovalhada, meus valores morais abalados e minha saúde comprometida. Um infarto, três paradas cardiorrespiratórias e a colocação de um CDI – Cardioversor-Desfibrilador Implantável. A minha luta no momento é pela vida.

- Finalmente concordamos nesse ponto. O importante sou eu, o resto que cuide de si.

- Lamento, tu como sempre é que não entendes nada. Assim que a minha saúde permitir retomarei a caminhada orientada pelos mesmos valores e com a disposição inabalável de servir ao próximo. Para finalizar conto-te uma história que o meu amigo Alfaro gosta de relatar e eu de repetir. Certa vez um burro encontrou um leão moribundo e decidiu matá-lo com uma patada na cabeça. Contudo, isso não alterou os fatos; o burro continuou sendo burro e o leão o rei da selva.

 

*Advogado


Escrito por Delamar Corrêa Mirapalheta

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QUEM SOU

Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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