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Paulo Francisco Martins Pacheco é Advogado, Cirurgião Buco-Facial, Coronel da Reserva BM, Prof. De Ciência Política da FURG - com Pós-Graduação pela Univ. Mackenzie – SP, Escritor – Membro da Academia Pelotense de Letras.


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Incisiva prova da origem dos pedágios

quinta-feira, 14 de Junho de 2012 | 14:28

“Se os velhacos soubessem da vantagem que há em ser honesto, seriam honestos

por velhacaria.”

Rui Barbosa

 

Há séculos conjetura-se sobre a verdadeira origem do Estado, se familiar, patrimonial ou da força. Mas em relação a origem de certos “entes morais”, resta sobejamente comprovada, cá, no sul do Sul, a sarcástica teoria de Reclus: “Os antigos agricultores tinham de atravessar um desfiladeiro para cultivar um vale fértil. Logo instalou-se, numa das encostas, um sujeito possante, que passou a cobrar-lhes pedágio. Empolgado com o êxito do ´insigne´ pioneiro, posicionou-se, na vertente oposta outro assaltante, que passou a cobrar a mesma taxa. Com o surgimento de um terceiro rapinante, os agricultores se retraíram e passaram a utilizar longa rota alternativa. Indignados com o superveniente prejuízo, os dois primeiros aproveitadores se uniram e lograram expulsar o intruso, só que, majoraram o preço anteriormente cobrado,como recompensa por mais este ´serviço´prestado.”

Por ocasião da visita do presidente Lula a Bagé, lhe foi entregue uma moção de repúdio, denunciadora das omissões e dos abusos praticados nas rodovias pedagiadas. Fato singular: a moção sobredita foi assinada por todos os 15 vereadores de Pelotas, que conseguiram superar divergências partidárias em torno de um objetivo comum, que é o bem comum, cujo, escusado frisar, não é um lugar comum.

Patente e patentíssima, na BR-116, a crepitação da gangrena moral: altas tarifas; falta de critério – três pedágios no sentido Pelotas-Porto Alegre e quatro de torna-viagem - ; aquaplanagens que resultaram em mortes; acostamentos erosados,, onde, cínica e precavidamente apõem placas de PROIBIDO ESTACIONAR. Adicione-se a inexistência de rotas alternativas, agravada pela obstrução criminosa destas, batizadas de “rotas de fuga”, como se fora-da-lei fôssemos. Entre os transtornos: os engarrafamentos causados pela falta de funcionários nos guichês em horas de fluxo intenso. Tamanha – e pouco cristã – é a fúria arrecadatória, que cobram pedágio dos carros-fúnebres, quando os cemitérios se localizam no perímetro suburbano. Até o eixo suspenso dos caminhões é pedagiado. Cobram pelo espaço aéreo... Pode!?

Além do mais – como se necessário fosse um além do mais -, impossível inventariarmos todas as situações de constrangimento: a aflitiva busca das moedas para o troco (nada é sem importância no Direito...), as viagens abortadas pelo alto custo da tríade: refeição, combustível, pedágio; externalidade negativa esta que atinge, também, aqueles que não possuem automóvel, dado o reflexo na elevação geral dos preços. Coestaduanos deixam de comparecer a importantes eventos e até mudam de domicílio por não suportarem a cupidez das Concessionárias. Oportuno lembrar, que íntegros radialistas, que se opunham aos pedágios, foram amordaçados pela manobra curvilínea de contratos generosos, celebrados entre as Concessionárias e as Emissoras de rádio. Trata-se de uma externalidade negativa sobre a qual nem o Governo tem controle, o que sobremodo justifica a corajosa criação de um órgão paraestatal.

Espanta-nos, pois, embora raras, as manifestações de alguns masoquistas – ou subsidiados por esses “entes morais” – no sentido de prorrogarem a rapinagem nas estradas,máxime, por estarem a justificar o triste dito sentencioso: “Criaturas que nasceram para ser devoradas, infelizmente não aprendem a não deixar-se devorar.”

 

Paulo F. M. Pacheco , ex- presidente da Associação dos Usuários das rodovias de Pelotas

Cir. Bucomaxilofacial – CRO 2340

 


Escrito por Paulo F.M. Pacheco

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O preço da civilização (crônica publicada no Diário Popular)

segunda-feira, 26 de Setembro de 2011 | 16:19

Procura-se um jipe bem reforçado, desses que se converteram em sucata do Exército, pois cursos de direção defensiva não bastam, para transitarmos com segurança nas tumultuadas ruas de Pelotas.

A preocupação com um eventual acidente levou-me a consultar meu cunhado, coronel do Exército - arma de material bélico, Aman/1962 – cujo, me aconselhou arrematar o Dodge 3 x 4, verde–oliva dotado de guincho e de petrechos outros, que o tornam altamente dissuasório.”Podes até assestar uma metralhadora .50 em cima dele, capaz de varrer, incontinenti, o inimigo do mapa.”

Comove-me sempre, nossa pacifista, comedida, solidariedade intrafamiliar. No entanto, mesmo protegido pela casamata ambulante acima descrita, prometo trafegar vagarosamente, suportando, com humildade, os apupos e as buzinadas de afoitos incivilizados munícipes. Mas ao cabo, gratificou-me, sobejamente, a aquisição do possante jipe paisano Javali, dentro do qual fruo a inefável sensação de contemplar, ileso, meus homicidas em potencial. Há pouco, atento em servir, achando-me prestativo, alertei um motorista:”Porta aberta!”” Boca aberta é tu e a vovozinha!” – respondeu-me o mal-agradecido deficiente auditivo. Pois não adianta! Para os desvairados do trânsito a multa não constitui medida corretiva. Castigos mais drásticos se impõem e chego a sonhar com a benéfica retomada dos eficazes corretivos pela chibata e a palmatória.

Aqueles que alegam a condição de hábeis motoristas são, potencialmente, os mais perigosos. Não passam de autênticos celerados; sequer logram entender que os imprevistos do trânsito os tornam incapazes de controlar um automóvel em alta velocidade.

Ultimamente, me tem assaltado a impressão de que o escurecimento do pára-brisa e dos vidros laterais, mais se destinam a esconder o mau-caráter de deseducados motoristas, do que protegê-los da incidência do sol. Destarte, por que o carrasco encapuza suas vítimas? É, certamente, por não lhes suportar o olhar de censura. Outro dia, chamou-me a atenção o dito sentencioso de um motociclista: “Ser motoqueiro é não saber distinguir onde termina a cabeça e onde começa a máquina.” Desnecessária reflexão, meu jovem, não há, no caso, começo nem fim: cabeça, máquina e nádegas acham-se acopladas, formam um bloco único, coeso, homogêneo, indissociável – e, ao parecer, com acentuada predominância destas.

São sete horas e resolvo empreender minha caminhada matinal, aproveitando o pacificado trânsito de domingo. No cruzamento da rua Armando G. Sica com a Dom Joaquim, ouço a fricção de pneus no asfalto e a aceleração máxima de um motor. Fico paralisado ante a grave ameaça que se aproxima e a presumir: o escasso volume psíquico do motorista. Surge então um reles ultrapassado Chevette que, em ziguezague, dobra contramão na Dom Joaquim. O Piquet urbano lança-me um olhar de triunfo – deve ter pensado que parei para aplaudi-lo. Quatro caroneiros o acompanham, extremes de medo, vale dizer, sem a coragem de protestar e desvencilhar da aventura temerária que assumiram.

Conforta-me, neste exato momento, o fato de minha filha já ter concluído seu curso na UFPel e de residir, hoje, numa pacata cidade interiorana. No entanto, seria pouco cristão, máxime nestes dias pré-natalinos, quando, paradoxalmente, o número de acidentes aumenta mais do que no Carnaval, deixar de temer pelos estudantes que, diuturnamente, têm de percorrer esta selva de pedra, onde felinos, havidos de carnagem,”dirigem”seus carros.

E os desvarios vão continuar...Vão continuar, porquanto, na cabeça desses inconseqüentes, o preto do asfalto, recém-implantado para nos trazer conforto, destina-se unicamente a multiplicar as tarjas de luto. Todos os motoristas deveriam fazer breves estágios nos prontos-socorros, ali onde se sucedem, em espantosa alternância, as súplicas a Deus, as obsedantes acusações da consciência e o vão desejo de querer desacontecer, o que irremediavelmente já aconteceu.

Acentua nossa desesperança a lapidar sentença de Adenauer: “É extremamente injusto que Deus, tendo limitado severamente a inteligência humana, não tenha limitado, também, a estupidez humana”.

 

 Paulo F. M.Pacheco –Cirurgião bucomaxilofacial


Escrito por Paulo Francisco Martins Pacheco

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Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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