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Paulo Francisco Martins Pacheco é Advogado, Cirurgião Buco-Facial, Coronel da Reserva BM, Prof. De Ciência Política da FURG - com Pós-Graduação pela Univ. Mackenzie – SP, Escritor – Membro da Academia Pelotense de Letras.


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Dilemas da Comunicação

segunda-feira, 26 de Setembro de 2011 | 16:15

Encontrei exposta, no museu de Santiago, carta do embaixador chileno, no Canadá. Datava do último quartel do séc. XIX, confessando, o diplomata, que a invenção do telégrafo sem fio tornara dispensáveis as embaixadas. Desnecessário recapitular, seqüencialmente, o vertiginoso avanço das comunicações, a confirmar, incisivamente, a assertiva anterior.

Infenso a modismos, imune às psicoses coletivas, só cogitei aderir à Internet, quando advertido por uma colega: “Como? Não tens e-mail? Pois estás fora do mundo!” Desde então o cerco foi se fechando e, relegado à condição de analfabeto técnico, acabei por me integrar.

Com receio de pagar vexame numa turma de jovens, contratei afoita instrutora, que passou a executar operações incríveis, atalhos impertinentes, sem me explicar o porquê de cada passo. Em sendo assim, pedi que me ensinasse apenas manobras essenciais e perseguindo sempre o mesmo caminho. Após uma semana, recém brevetado, “cidadão do mundo”, ensaiei meu primeiro vôo sem a instrutora. Mas tive a infelicidade de ANEXAR uma bagaceira mensagem à freira-chefe do bloco cirúrgico, cuja, se benze cada vez que me vê; enquanto contemplava o alemão Tochtrop, o mais devasso dos meus amigos, com um casto texto do padre Nivaldo Monte.

Se viver é perigoso, como sentenciou Guimarães Rosa, meter-se à internauta me pareceu uma missão tão temerária quanto a das antigas navegações cabralinas. Ocorre que os homens de raciocínio rápido, por isso mesmo inconseqüentes – os “avoados”, como dizia minha avó- depois de ganharem embalo acabam rompendo todos os diques do bom senso. O ideal seria que pensassem, pensassem como dizer e só então dissessem.

Como os professores costumam ter a palavra tão fácil que não conseguem guardá-la, padeci, recentemente, duas merecidas admoestações. A primeira foi de um amigo reencontrado depois de 40 anos; a segunda, de um parente. A Internet é um perigo, volvo a dizer. Entrincheirados na barricada, relaxamos os controles do superego e, uma vez, acionado o estopim “enviar”, exaure-se toda a possibilidade de uma contra-ordem. Passamos da consciência à inconsciência, berço, como se sabe, de idéias confusas e nos entregamos a digitar mal com grande facilidade.

A recente história das comunicações é extreme em mensagens desastrosas, pois nossa maior preocupação direciona-se a evitar a rapinagem nas contas bancárias. Adicione-se ainda, o fator distância, a nos tornar menos sensíveis à epiderme dos outros.

A mesma amiga que me levou a ingressar no sistema, veio em meu socorro: “Se continuares a filosofar assim, vais ficar conhecido como um baita chato triste; evita enveredar pelos caminhos labirínticos da abstração”. Ora, como se vê, as belas loiras, surpreendentemente, também filosofam. Excluídas as finalidades indispensáveis: pesquisa, relações comerciais, contato com familiares no exterior, tal tipo de comunicação, se compulsiva e frenética, muito me preocupa - como de começo expus. Bate papo? Pressinto que não é a mesma coisa, pois falta o olho no olho, a inflexão da voz, a convicção íntima, a mímica facial, sobretudo esta, a dizer e a redizer que estamos apenas brincando. Ademais, as palavras nem sempre revelam nosso verdadeiro estado de alma.

Com o telegrama era diferente; tínhamos de andar até o Correio e, nesta milenar luta do homem pela expressão, nada é mais favorável ao raciocínio, a corrigir desvios, do que uma caminhada lenta, introspectiva e cuidadosa.

Por tudo isso, prefiro o telegrama, porque censor antecipado de arroubos irrefletidos, porque pioneiro em desaconselhar a instalação de onerosas voluptuárias embaixadas, já que, sóbrios consulados bastam, como extensão soberana de nosso território.


Escrito por Paulo Francisco Martins Pacheco

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DEVER CÍVICO

segunda-feira, 26 de Setembro de 2011 | 14:12

Há tanta tolerância nessas Casas Legislativas, que

dia virá em que não será impróprio chamá-las: Ca

sas de Tolerância.” (Gustavo Corção)

 

 

Embora dispensado de votar, exerci a autoridade da idade, a fim de anular meu voto à Câmara e ao Senado, entes teratológicos gerados pela mal-nascida Constituinte Congressual de 86/88, que consagrou o sistema bicameral, hoje inexistente em muitos Estados.

Querem válido meu voto? Pois então reestruturem a Câmara e o Senado, pela redução de 513 para 250 o número de deputados; eliminem a hiper-representação dos estados da Região Norte; abram mãos de quatro das cinco passagens mensais pagas pelo erário para, semanalmente, visitarem as bases – o que enseja inúmeras faltas às sessões e a subseqüente onerosa convocação extraordinária; mandem de torna-viagem aos municípios de origem 90% dos 17.000 funcionários da Câmara, a fim de reforçarem o trabalho indispensável e suarento dos garis; encolham o tempo de mandato dos senadores para quatro anos (como vou saber o que o senador vai pensar daqui a oito anos?); acabem com as aposentadorias após duas legislaturas, de resto, com a excrescência da “reeleição”, gerada em causa própria, através de manobras curvilíneas.

Só o orçamento do Senado daria para manter seis universidades do porte da UFPEL, enquanto o orçamento da Câmara (que roça os R$ 2.300.000.000,00) supera o orçamento de Porto Alegre. São aprovadas apenas 200 leis por ano e 194 destas são da iniciativa do Planalto. A Lei de Falências teve uma gestação de 11 anos. Adicione-se ao locupletamento sobredito: o auxílio moradia e inúmeros privilégios de difícil inventário. Não por acaso, Brasília tem a maior renda per capita do Brasil.

Objetar-se-á, que é necessário melhorarmos paulatinamente o Congresso, votando no candidato menos venal e mais preparado intelectualmente? Ora, Delfim Neto advertiu que o deputado culto deve quedar-se mudo, para não provocar animus adversus nos medíocres, cuja maioria é avassaladora. Ademais, os parlamentares que não se revelaram corruptos não deixam de ser omissos.

O projeto de redução do número de deputados, apresentado pelo Clodovil, foi com ele “engavetado”. Rogo apontarem o nome de outro parlamentar que teve o topete de se insurgir contra as mordomias existentes nesses focos – crônicos - de virulentos dilapidadores do erário.

Patente e patentíssima, pois, a insensibilidade desses “representantes” à epiderme dos seus representados, haja vista o escandaloso aumento de 61,83%, hoje referendado - num flagrante deslize de patriotismo - pelo gaúcho que postula a presidência da Câmara, enquanto o gaúcho que o antecedeu nessas funções, cometeu deslize de gauchismo, quando se aliou ao Quércia para chegar à presidência da Câmara. Espanta-nos a desmemória dos gaúchos, daí concluir-se que, eleitores nascidos para serem devorados, infelizmente não aprendem a não deixar-se devorar...

Também não é válido afirmar-se: “Quem não vota não pode reclamar!” É que, não se estará levianamente referendando estruturas corruptoras, oriundas de uma Constituinte não-exclusiva, integrada por pianistas, gazeteiros – ultrapassavam 200 - senadores biônicos, vendilhões da consciência e os que foram eleitos através do estelionato do Plano Cruzado, que agonizou um dia após as eleições. Somem-se a estes, os rufiões da memória do Tancredo...

Obtidos 51% de votos nulos estes não logram invalidar a eleição? Pois deveriam. Além do mais – como se necessário fosse um além do mais - trata-se de um começo, bem menos cruento do que uma revolução e cuja finalidade é exercer uma pressão psicológica dos idealistas sem política contra os políticos sem ideal. Adianta tentarmos insuflar um balão furado?

Aqueles que teimam em melhorar paulatinamente o Congresso, sem modificá-lo através de uma Constituinte Exclusiva, única capaz de acabar com os abusos legislados, comumente confundidos com direitos adquiridos, são tão ingênuos quanto aqueles que crêem apagar-se a luz, arrancando os próprios olhos.

 

 

Paulo F. M. Pacheco - Professor aposentado da Univ. Federal do Rio Grande. Pós-graduado pela Univ. Mackenzie- SP, com média DEZ em Assuntos Políticos.

Artigo publicado após o indecoroso aumento dos salários dos parlamentares, em dezembro de 2010.

 


Escrito por Paulo Francisco Martins Pacheco

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Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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