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Minha Mãe, Minha Amiga, Minha Filha

terça-feira, 04 de Fevereiro de 2014 | 12:17

Há pouco mais de uma semana perdi minha Mãe, Alfa Amaral Alfaro, que faleceu com a idade de 85 anos. Natural de Santa Vitória do Palmar veio para Rio Grande no inicio da década de 50, acompanhando meu Pai Alberto Ireneo Alfaro, que deixava sua então profissão de tratador de cavalos de corrida, para trabalhar como operário na Refinaria de Petróleo Ipiranga. Morávamos junto à tela da Empresa e lembro que os tempos eram de dificuldades, porém jamais tivemos qualquer necessidade maior, a Refinaria já cuidava da família de seus trabalhadores com programas sociais até hoje marcados em nossas vidas.

Além de mim, nossa família era completada com meu irmão Luiz Carlos. Fruto do trabalho obstinado do meu Pai, homem que jamais aceitou o que o destino parecia ter-lhe reservado, iniciamos os estudos num colégio estadual para na quinta série sermos matriculados em escolas particulares, por insistência da nossa Mãe, que era particularmente severa com relação ao aproveitamento nos estudos. Posteriormente, veio juntar-se ao nosso núcleo Carmen Lenira de Ávila Pinto, também de Santa Vitória. Afilhada dos meus pais criou-se junto conosco, como irmã e filha. De espírito alegre, minha Mãe sempre reuniu pessoas ao seu redor, indo para a cozinha preparar gostos pratos para todos. Vinda de uma família de 13 irmãos incutiu-nos a necessidade de valorizarmos os amigos e vizinhos, respeitar a todos, especialmente os professores e os idosos. Desde sempre tinha uma preocupação com os outros, desenvolvendo ações de solidariedade pela vida inteira. Inicialmente, recebendo em nossa modesta residência parentes e amigos, que vinham de Santa Vitória em busca de assistência médica, passeio ou estudos, inclusive, muitos concluíram faculdade com o apoio indispensável da “Tia Alfa”.

Conterrâneos “mergulhões” denominavam-na de “Consulesa de Santa Vitória” como uma homenagem por toda essa trajetória de identificação com seu torrão natal e de transformar a sua residência numa verdadeira casa de passagem, consulado informal. Desde a fundação do “Movimento Solidário Colméia”, aqui em Rio Grande, tornou-se ativa voluntária e liderança inconteste, aceitando até meses antes do seu passamento todas as funções que lhe foram confiadas.

No blog e também no nosso “Folha Gaúcha” ocupei-me em artigos e crônicas, denominados “Ensaios sobre a Velhice”, em relatar experiências maravilhosas vivenciadas com a minha querida Mãe, onde relato esses quase sessenta anos de convivência, onde tive o prazer de exercer três papéis: filho, amigo e pai, nestes últimos anos. Registrei a Ela muitas vezes, inclusive, no final de que a sua vida foi uma daquelas dignas de ser vivida, que efetivamente valeram à pena.


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

Rolezinho no Palácio do Planalto!... Nos Ministérios!... Quem sabe?...

quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014 | 16:34

Todos somos unânimes em reconhecer o avanço que as redes sociais possibilitaram a universalização e democratização das informações e do conhecimento. Não obstante, a falta de uma legislação internacional que discipline com rigorismo a má utilização dessas poderosas ferramentas, torna a cidadania refém de todo o tipo de organização, interesse ou crime.

A bola da vez, o modismo é o Rolezinho, convocação feita através das redes sociais para que jovens reúnam-se em horários pré agendados em shoppings centers ou centros comerciais, sem uma finalidade especifica aparente, o que de per si já é perigoso. Como diz o velho ditado: “O ócio e a ferramenta do diabo”, portanto, quem não tem o que fazer fique em casa. Lembro que na minha juventude “dar um role” era dar um passeio, uma volta ou um giro a pé ou de carro, com um ou dois amigos, também sem um objetivo definido, o que às vezes teve como conseqüência a ida a algum lugar não recomendável, quase sempre prenúncio de confusão. Potencializem isso, reunir dezenas, às vezes centenas de jovens, convocados a invadir qualquer espaço público ou privado, é uma insanidade, uma irresponsabilidade monumental, com conseqüências imprevisíveis.

Três segmentos, como sempre, arvoraram-se na defesa dessas balburdias, dessas turbas que já causaram inúmeros prejuízos a comerciantes e também a consumidores, cada um com suas justificativas e todos com um viés notadamente ideológico. Os Movimentos Sociais acusam os Shoppings de “apartheid”, mais uma vez criando uma luta de classes que não existe e o que é pior demonizando a atividade empresarial. Espertamente, um tal Instituto de Pesquisa Data Popular, até o nome é caricato tentado confundir-se com o consagrado Datafolha, tenta enganar a opinião pública criando números fantasmagóricos, que recriminam e menosprezam o Empresariado frisando que os mesmos estariam ignorando o potencial de consumo da Classe “C” ao proibir os tais Rolezinhos. Que estariam abrindo mão de R$-129 milhões, suposto potencial desses jovens, que na imaginação do Data Popular representariam muito mais que o consumo das Classes “A”, “B” e “D”, somadas. Que delírio! Tudo isso com o intuito de provocar, mais uma vez confronto de classes, tipo ricos X pobres, clara tentativa de ideologização do consumo. Por último, não poderia faltar, um alto prócer do petismo raivoso, mas dissimulado, o Secretário Geral da Presidência Gilberto Carvalho, aquele da República de Ribeirão Preto, propor na mesa de entrada do gabinete da Presidente Dilma Rouseff, que: “Precisamos criar alguma convivência com o Rolezinho”.

No meio de tanta desfaçatez cabe um esclarecimento aos que porventura nunca tenham ido a um shopping Center ou Centro Comercial. Esses estabelecimentos, embora de propriedade privada, jamais cobraram qualquer tipo de entrada ou constrangeram alguma pessoas a algum consumo mínimo obrigatório ou limitação de qualquer espécie para o livre acesso e circulação. Daí ser totalmente descabida a permissão da veiculação dessas convocações e pior a omissão do Estado ao não dar segurança aos que estão trabalhando, passeando ou fazendo compras de forma civilizada e tranqüila. Minha querida Mãe, Alfa Amaral Alfaro, vinda de Santa Vitória do Palmar, e que nos deixou semana passada, diria no seu sotaque mergulhão: “Quem pariu que o embale”. Eureka! Que tal um Rolesinho no Palácio do Planalto? Ou nos Ministérios? Quem sabe.


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

As carroças, a mobilidade urbana e o respeito aos animais

quinta-feira, 09 de Janeiro de 2014 | 18:31

Com o aumento absurdo do número de automóveis, motocicletas e bicicletas circulando nos centros urbanos brasileiros, já deveriam estar mais adiantadas as alternativas para uma melhor resolução dos graves problemas de mobilidade que afligem e colocam em risco a vida das pessoas.

Ciclovias, redefinição de fluxos e até rodízio de placas já estão sendo adotados em algumas cidades, até um Ministério foi criado em âmbito federal, o das Cidades, que tem como objetivo promover políticas de transportes e mobilidade urbana.

Aqui na nossa cidade do Rio Grande, fundada em 1737 pelo Brigadeiro José da Silva Paes, os problemas para a implantação de qualquer nova concepção de planejamento urbano e viário são praticamente intransponíveis, por essa condição histórica, considerando-se que há 277 anos as demandas e conceitos, por óbvio, eram outros.

Proponho neste artigo que tratemos de um tema até então ausente das pautas municipais: a circulação de veículos movidos por tração animal, as conhecidas carroças. Reconheço o valor histórico e cultural do referido transporte, mas está mais do que comprovado que o mesmo, além de ser um complicador no tumultuado trânsito da cidade, causa insegurança pela inexistência de qualquer norma para circulação e até, pasmem, para pilotagem. Observo diariamente que muitas das carroças são conduzidas por crianças, sem qualquer conhecimento de regras de trânsito, menos de trato com os animais.

Na realidade, o uso de tração animal e humana é medieval. Salvo algumas situações culturais e turísticas, e, pontualmente nas regiões rurais, é algo totalmente ultrapassado. Não é por nada que tudo que é atrasado e obsoleto é chamado de carroça. Imagino as dificuldades para se mexer numa situação tão arraigada na cultura e principalmente por servir de único meio de sobrevivência a centenas de pessoas. Paciência, quem se propõe a ser prefeito ou vereador de um município deve estar compromissado e preparado para buscar e propor saídas para todas as questões de interesse público, independente dos reflexos eleitorais, portanto, aí está a questão.

É inexorável o enfrentamento desse assunto dentro das concepções atuais e universais que asseguram direitos aos animais. Vejam, os cavalos ou burros explorados em veículos de tração são obrigados a trabalhar sem período de descanso ao longo do dia por meio de instrumento de tortura, como chicotes e pedaços de pau, que são usados cada vez que o animal interrompe seu trajeto por estar exausto, ou simplesmente quando não obedece às ordens de seu tutor. Pelo trabalho pesado e ininterrupto, estes animais estão fadados a sofrer desnutrição, desidratação, doenças pulmonares (devido à fumaça proveniente dos automóveis que respiram), doenças da pele, ferimentos espalhados por cada canto do corpo, além do desgaste dos cascos devido ao atrito com os calçamentos de pedra e asfalto.

A proposta não tem nada de revolucionário, como repito à exaustão, é só observarmos o que vem sendo feito pelo mundo afora nesse sentido. Sugiro, como exemplo, o que foi feito em Bogotá/Colômbia, onde foram retiradas das ruas todas as 2.500 carroças existentes, em dois anos. O plano de negócios, subsidiado pelo governo, além de propor treinamento e encaminhamento a outras atividades aos condutores, disponibiliza algo em torno de 21 mil reais que possibilita a aquisição de um “Cavalo de Lata”, veiculo elétrico, que é carregado com energia solar, tem 60km de autonomia e exige um gasto médio de R$0,03 por quilômetro percorrido, além de não emitir resíduos tóxicos para a atmosfera. Os cavalos, depois de resgatados, ficam aos cuidados da Universidade de Ciências Aplicadas e Ambientais. Vamos começar a tratar disso ou deixaremos que ele chegue a condições insuportáveis? A decisão é de todos nós.

 


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

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QUEM SOU

Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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