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Alberto Amaral Alfaro
Advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.


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As carroças, a mobilidade urbana e o respeito aos animais

quinta-feira, 09 de Janeiro de 2014 | 18:31

Com o aumento absurdo do número de automóveis, motocicletas e bicicletas circulando nos centros urbanos brasileiros, já deveriam estar mais adiantadas as alternativas para uma melhor resolução dos graves problemas de mobilidade que afligem e colocam em risco a vida das pessoas.

Ciclovias, redefinição de fluxos e até rodízio de placas já estão sendo adotados em algumas cidades, até um Ministério foi criado em âmbito federal, o das Cidades, que tem como objetivo promover políticas de transportes e mobilidade urbana.

Aqui na nossa cidade do Rio Grande, fundada em 1737 pelo Brigadeiro José da Silva Paes, os problemas para a implantação de qualquer nova concepção de planejamento urbano e viário são praticamente intransponíveis, por essa condição histórica, considerando-se que há 277 anos as demandas e conceitos, por óbvio, eram outros.

Proponho neste artigo que tratemos de um tema até então ausente das pautas municipais: a circulação de veículos movidos por tração animal, as conhecidas carroças. Reconheço o valor histórico e cultural do referido transporte, mas está mais do que comprovado que o mesmo, além de ser um complicador no tumultuado trânsito da cidade, causa insegurança pela inexistência de qualquer norma para circulação e até, pasmem, para pilotagem. Observo diariamente que muitas das carroças são conduzidas por crianças, sem qualquer conhecimento de regras de trânsito, menos de trato com os animais.

Na realidade, o uso de tração animal e humana é medieval. Salvo algumas situações culturais e turísticas, e, pontualmente nas regiões rurais, é algo totalmente ultrapassado. Não é por nada que tudo que é atrasado e obsoleto é chamado de carroça. Imagino as dificuldades para se mexer numa situação tão arraigada na cultura e principalmente por servir de único meio de sobrevivência a centenas de pessoas. Paciência, quem se propõe a ser prefeito ou vereador de um município deve estar compromissado e preparado para buscar e propor saídas para todas as questões de interesse público, independente dos reflexos eleitorais, portanto, aí está a questão.

É inexorável o enfrentamento desse assunto dentro das concepções atuais e universais que asseguram direitos aos animais. Vejam, os cavalos ou burros explorados em veículos de tração são obrigados a trabalhar sem período de descanso ao longo do dia por meio de instrumento de tortura, como chicotes e pedaços de pau, que são usados cada vez que o animal interrompe seu trajeto por estar exausto, ou simplesmente quando não obedece às ordens de seu tutor. Pelo trabalho pesado e ininterrupto, estes animais estão fadados a sofrer desnutrição, desidratação, doenças pulmonares (devido à fumaça proveniente dos automóveis que respiram), doenças da pele, ferimentos espalhados por cada canto do corpo, além do desgaste dos cascos devido ao atrito com os calçamentos de pedra e asfalto.

A proposta não tem nada de revolucionário, como repito à exaustão, é só observarmos o que vem sendo feito pelo mundo afora nesse sentido. Sugiro, como exemplo, o que foi feito em Bogotá/Colômbia, onde foram retiradas das ruas todas as 2.500 carroças existentes, em dois anos. O plano de negócios, subsidiado pelo governo, além de propor treinamento e encaminhamento a outras atividades aos condutores, disponibiliza algo em torno de 21 mil reais que possibilita a aquisição de um “Cavalo de Lata”, veiculo elétrico, que é carregado com energia solar, tem 60km de autonomia e exige um gasto médio de R$0,03 por quilômetro percorrido, além de não emitir resíduos tóxicos para a atmosfera. Os cavalos, depois de resgatados, ficam aos cuidados da Universidade de Ciências Aplicadas e Ambientais. Vamos começar a tratar disso ou deixaremos que ele chegue a condições insuportáveis? A decisão é de todos nós.

 


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

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natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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