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SENTIMENTO DE UTILIDADE

quarta-feira, 23 de Abril de 2014 | 09:35

Durante a infância, não raro, as brincadeiras projetam sonhos profissionais. O tempo transcorre e a necessidade de uma definição torna-se imperativa. O que foi fantasiado sofre uma infinidade de arranjos ou vicissitudes que põem à prova o desejado. As barreiras naturais, internas ou externas vão, inquestionavelmente, filtrando caminhos. Destarte, muitas vezes, ficamos diante de verdadeiros conflitos em relação ao que fazer. A realidade, infelizmente, não propicia chances igualitárias. Portanto, uns conseguem e outros sofrem uma negativa da vida, apesar da luta.

Independentemente do que esboçamos e concretizamos, há um ponto de suma importância: o sentimento de utilidade. Se tivéssemos que eleger um dos fatores que desencadeiam o que intitulamos de “felicidade”, este, sem sombra de dúvida, é fundamental. Desde a função considerada como humilde até a de “valor”, todos nós, indubitavelmente, somos importantes. Lembro, até hoje, de uma pessoa que estava hospitalizada com um caso terminal. Inteligente, possuía plena consciência do seu estado. No meio de toda a relevância da equipe hospitalar, alguém teve um destaque e reconhecimento maior pela condução do seu trabalho. Pelas manhãs, uma vassoura, balde, álcool e panos eram os instrumentos de uma faxineira extremamente simpática. Quando chegava, o lo cal ficava muito limpo. Cada detalhe era observado e as suas mãos estavam presentes visando retirar todas as “sujeiras ou impurezas” do quarto. Ia além... Os sorrisos, humor e diálogos travados com o enfermo e familiares faziam a assepsia da aura negativa e óbvia do ambiente. A sua alegria contagiava. O senhor, nos últimos suspiros, era convidado por ela para, na época, ir a “bailes de carnaval”. Simplesmente ouvíamos risadas e “visualizávamos” a impossível situação. O referido convite talvez lembrasse “épocas de luz” e o pensamento do doente tomava um curso diferenciado... Concluída a “faxina geral”, ia para o próximo, certamente, com a mesma disposição.

É bom sermos lembrados pelos demais por aquilo que fazemos ou quando extrapolamos o que esperam de nós com um “carinho extra”. Esta gratidão, que para nós pode passar despercebida, fica eternizada para quem recebe ou é atingido. Talvez, neste tênue limite entre a obrigatoriedade ou dever relacionados à nossa profissão e o que “ultrapassa limites”, esteja o genuíno sentimento de utilidade. Os anos transcorrem, porém, seremos sempre lembrados por um modo de agir que propiciou um campo que confortou uma alma ou ajudou profundamente.

O que é profícuo, proveitoso para o semelhante, é uma fonte inesgotável de satisfação para nós mesmos. Com isso, crescemos vertiginosamente como indivíduos. A totalidade, nesta breve passagem, é permeada de reconhecimentos e satisfações coletivas. Não obstante, passamos a encontrar um sentido que preenche grande parte das nossas lacunas existenciais...


Escrito por Dr. Ricardo Carvalho

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QUEM SOU

Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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