Logo Alfaro
Fale com o Alfaro
Promovendo cidadania com informação
banner Alfarobanner Alfarobanner Alfaro

DECISÕES DIFÍCEIS

terça-feira, 22 de Julho de 2014 | 11:41

Num final de semana, estava sentado no pátio de casa apreciando o belo dia de sol e tomando um chimarrão. “Filosofando” é a palavra adequada. Como de costume, não demorou muito e a minha cadela veio me fazer companhia. Rapidamente, apesar de querer negar, olhei o seu tumor desenvolvido em uma das mamas. Onze anos, até aqui, de belo convívio e amizade. Ainda lembro o momento em que fui buscá-la num sítio. No meio de todos os pequenos labradores, o pelo baio foi determinante na escolha. A felicidade irradiada e sentida com o filhote foi enorme.

Por volta de um ano atrás, uma pequena protuberância atestou o que já imaginávamos. Os diversos exames solicitados pelo veterinário foram feitos e um telefonema trouxe a pior notícia. Um câncer, dos mais agressivos, foi diagnosticado. O tratamento indicado não gerou nenhum tipo de surpresas. Uma cirurgia deveria ser feita com os riscos inerentes, após, quimioterapia, etc. O mundo ficou cinza, pelo menos, temporariamente. Garantias? Nem poderia... A única certeza seria a de infinitos procedimentos ou sofrimentos mesmo com a sua idade avançada. Destarte, quando passamos por um problema, temos a natural tendência de compartilharmos com conhecidos. Nas conversas com pessoas que enfrentaram casos similares, um número significativo delas disse que o tempo d e vida pós-cirurgia foi pequeno. O óbvio também, no auge do conflito, é consultarmos outros especialistas. Para a nossa surpresa, numa segunda opinião, foi colocado que aguardássemos e déssemos bastante carinho neste recorte de vida que restava para ela. Associado a isso, alguns remédios para fortalecê-la ou talvez “placebos”. O verbo, portanto, era esperar. Obedecendo ao ritmo natural, no instante em que entendêssemos que a dor intensa fosse maior do que todas as lógicas possíveis, poderíamos abreviar o padecimento.

Não obstante, quando eu era jovem fiquei sabendo que uma senhora idosa e próxima, tinha contraído um câncer. Sua filha, inteligentíssima, e com inúmeros amigos da área médica, diante do quadro, resolveu simplesmente aguardar e não interferir com os passos costumeiros. Confesso que, na época, não entendi ou aceitei a decisão suficientemente bem. Achava que todas as tentativas possíveis e impossíveis deveriam encontrar uma saída. Sem dúvida, não possuía a dimensão da amplitude que tenho hoje. “Fichas da experiência” que foram acumuladas homeopática e dolorosamente.

Não raro, somos surpreendidos por profundas decisões que precisamos tomar e colocam em xeque várias questões internas e externas. Reuniões com os membros da família, pareceres técnicos diferenciados e, primordialmente, consciência, acerca de quaisquer opções, são elementos importantíssimos. Aprendi, ao longo da existência, que determinado nível que intitulamos de martírio ou algo do gênero, não necessariamente é o caminho a ser seguido. Prolongar sob duras penas, dependendo do caso, no mínimo, é questionável...


Escrito por Dr. Ricardo Carvalho

Comentários (0) | Indicar um amigo


^ topo

QUEM SOU

Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

ENTREVISTAS

O QUE EU LEIO

ÚLTIMAS 10 POSTAGENS


Ouça a Rádio Cultura Riograndina

ARQUIVOS

Alfaro Negócios Imobiliários
WD House

Blog do @lfaro - Todos os direitos reservados