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Diário

Diploma pelo diploma, perigos

sexta-feira, 21 de Março de 2014 | 17:40

Acabo de receber honroso convite vindo do Centro Educacional ASSPE, que abriga aqui no sul do País o Polo da UNOPAR – Universidade Norte do Paraná, para paraninfar 28 formandos de vários cursos superiores. A solenidade será no próximo dia 22 de março no Ipiranga Atlético Clube. Como sempre, a par da emoção pela distinção e responsabilidade da escolha, aproveito o ensejo para provocar uma reflexão aos meus afilhados e leitores.

As oportunidades da vida, para os que têm compromisso com a cidadania e os destinos do nosso País, são sempre únicas. Portanto, considerando as excelentes avaliações das entidades citadas, sinto-me à cavalheiro para reafirmar que a proliferação de cursos superiores no País tem se prestado a duas situações ambíguas: a oportunidade de um novo patamar profissional e a decepção pela seletividade do mercado.

Óbvio que sempre é uma vitória pessoal a obtenção de uma graduação superior, porém esse fato, isolado, não significa obrigatoriamente a abertura de portas no mercado de trabalho, tendo em vista que este é cada vez mais exigente e as dificuldades do formando já começam na hora do estágio ou contratação como treinee, quando o peso da sua instituição de ensino e as suas avaliações do MEC, através do Índice Geral dos Cursos – IGC, contam muito.

O acadêmico deve entender e trabalhar preventivamente com essas nuances, sabendo identificar o conceito da sua faculdade perante os indicativos acima expostos, não relaxando, no caso das bem avaliadas, nem desanimando, no caso contrário. Deve levar em contas sempre que a cultura e experiências adquiridas e acumuladas ao longo da vida são fatores decisivos para o sucesso pessoal e profissional.

A experiência nos dois lados, antes como concorrente à oportunidade, hoje como empresário selecionador, me autoriza a propor algumas providências que desequilibram, favoravelmente, independentes da origem do diploma, para que o formando tenha chances reais, tanto na área privada, como no setor público, este através de concursos.

Cursos de extensão relacionados à formação pretendida, idiomas, intercâmbio no exterior e se mostrar atualizado, acompanhando o que acontece no mundo, além de desenvolver capacidade para relações interpessoais, farão a diferença.

Em quaisquer das situações expostas, um diploma deveria representar a habilitação para o exercício pleno de uma profissão, a realidade não é essa, muitas vezes a busca irresponsável por uma graduação a qualquer preço representa, logo ali, frustrações e desencantos.

Diploma pelo diploma, não é o caminho, busque orientação, aconselhamento e direcione responsavelmente o seu futuro. Aos meus afilhados da UNOPAR/ASSPE desejo toda a sorte de felicidades, que todas as dificuldades enfrentadas para a obtenção desse galardão sejam compensadas com uma carreira profissional plena de sucessos e realizações. Por aqui, terão sempre um conselheiro, um amigo, um torcedor, sempre disponível, sempre vigilante.

 


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

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Jose Alencar, um legado que compromete sua biografia

quinta-feira, 13 de Março de 2014 | 17:43

Nós latinos somos uns apaixonados e evidenciamos isso em todas as nossas atitudes comportamentais.

Exageramos nas manifestações, criamos e destruímos ídolos com igual facilidade.

O falecido ex-vice-presidente da República, José Alencar, exemplifica bem esse paradoxo ao ver-se, novamente nas manchetes da imprensa nacional em função de um assunto pessoal, íntimo.

José Alencar, que aproveitou os índices de popularidade do então presidente Lula para surfar nas ondas do reconhecimento nacional, onde suas opiniões eram sempre muito bem consideradas, tanto pelo equilíbrio como pela legitimidade, visto que se tratava de ser um megaempresário, dono da multinacional brasileira Coteminas.

Além dessas condições políticas e econômicas, a saúde do então vice-presidente complementava esse status de personalidade em evidência no País, fruto da transparência com que tratou sua luta contra o câncer, o que lhe valeu um sentimento de solidariedade nacional.

Pois bem, até então havíamos conhecido um José Alencar vitorioso em todas as suas ações e que se preparava para a retirada do cenário político em função do término do seu mandato, da idade e da doença.

À época, fomos surpreendidos, no apagar das luzes, com uma entrevista ao Programa do Jô, onde Jose Alencar, ao ser questionado sobre processo de investigação de paternidade, que respondeu e foi condenado na Justiça mineira, mostrou para o mundo um novo José, preconceituoso, arrogante, cruel, machista e irresponsável.

Dizendo-se vítima de uma chantagem econômica, José Alencar atacou de forma rasteira a pretensa filha natural, Professora Rosemary de Moraes Gomes da Silva, sobrenome determinado por sentença judicial, e a sua mãe, a Enfermeira Francisca de Moraes, a Tita, com quem Alencar manteve um relacionamento amoroso entre 1953 e 1955, em Carartinga - MG.

Para desqualificar a enfermeira, na tal entrevista José Alencar disse tratar-se de mulher pobre, condição que a impediria de frequentar os mesmos locais e arrematou chamando-a simplesmente de prostituta. Ora, até as árvores de Caratinga sabiam que Alencar manteve esse affair com a belíssima jovem Tita, inclusive, que às quartas-feiras dormia na casa da moça.

Na realidade, independente das consequências práticas daquele rumoroso processo, para resgatar um pouco da sua imagem e não rasgar por completo sua já arranhada biografia, Alencar deveria, voluntariamente, submeter-se a um exame de DNA, é o mínimo que se exige de um homem; não o fez, morreu em 29 de março de 2011, insistindo na absurda e burra estratégia do avestruz, enterrar a cabeça no chão deixando o corpo todo de fora.

Pois bem, passados três anos da morte de José Alencar, a 4ª. Câmara do Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve por unanimidade a decisão da primeira instância, onde foi considerada a negativa de submeter-se ao exame de DNA como indução de paternidade relativa. Óbvio que a milionária família de Alencar já recorreu ao STJ, alegando não existir no processo qualquer prova que indique a relação de José e a mãe da professora. Continua a saga da Professora Rosemary na busca de uma identidade que lhe foi toda a vida sonegada e de seus legítimos direitos. Tendo pela frente os bilionários herdeiros da Coteminas e a parcimoniosa ação do judiciário em casos similares, temo que em vida não alcance a justiça que lhe é devida. É a luta de Davi contra o Golias. Veremos.


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

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Mais médicos, menos vergonha

quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014 | 17:46

Todos sabem que neste Brasil que gasta bilhões de reais para organizar uma Copa do Mundo de Futebol falta tudo: educação, segurança, transportes, e, obviamente, saúde, médicos, remédios e hospitais.

Dentro desse quadro, o Governo Dilma Rousseff lançou o Programa Mais Médicos, tido e havido como a grande panaceia para os males da saúde, e que na sua concepção de importar médicos de outros países para reduzir o deficit existente e universalizar o atendimento não seria absurdo, pelo contrário, essa prática de incentivar a migração de recursos humanos é universal, bem contemporânea. O que causa a indignação de todos é a ideologização do Programa, bem ao estilo Nicolau Maquiavel, onde os fins sempre justificam os meios.

Primeiro, ao firmarem um contrato com o Governo Cubano usando como interface a Organização Pan-Americana de Saúde, órgão vinculado à ONU, que não pode ser publicizado em virtude de “cláusula de confidencialidade”, exigida pelos Irmãos Castro, a qual o Brasil criminosamente se submeteu.

Essas relações obscuras sob o terrível manto do “segredo de Estado”, encobrem também, pasmem, o financiamento do Porto de Mariel, há 45 km de Havana, onde o BNDES despejou US$682 milhões, de recursos dos brasileiros, tudo por decisão política do Governo Brasileiro.

Voltando ao Mais Médicos, o governo petista simplesmente rasgou e jogou no lixo todos os critérios exigidos para o exercício legal da medicina, preconizados pela legislação vigente e fiscalizado pelos órgãos médicos e Justiça do Trabalho, dentre eles a exigibilidade de uma prova de proficiência profissional. Mais: colocou-nos na berlinda como Nação, já que princípios elementares dos direitos dos trabalhadores são sonegados de maneira descarada e injusta. Todos os profissionais contratados para o programa recebem R$-10 mil, mais os benefícios do FGTS, férias, 13º salário, etc. Pasmem, nossos irmãos cubanos recebem para a mesma atividade, “a pau e corda” US$-400, o que representa em torno de R$-1 mil, sem qualquer direito trabalhista. É um crime, um abuso sem precedentes na história das relações trabalhistas brasileiras.

Infelizmente, vivemos tempos de grande perplexidade e grande decepção com os rumos do nosso País, onde direitos são suprimidos ou negados em nome de programas sociais demagógicos, absurdos e até desumanos. O Governo lida com a cidadania com desfaçatez e prepotência, manipula números e cenários econômicos e sociais para manter o poder a qualquer custo. Desconhece e menospreza a existência de pessoas com discernimento e senso crítico capazes de ter dúvidas e de manifestar opinião.

Inexiste a oposição, a verdadeira sopa de letras em que se transformaram os partidos políticos para nada serve a não ser a defesa de interesses corporativos e pessoais, sempre conflitantes com os interesses maiores da cidadania. Estamos novamente próximos a novas eleições gerais, antecedidas da overdose inebriante da Copa, e estamos literalmente num mato sem cachorro, aguardando o desfile dos marqueteiros e suas promessas mirabolantes. Esse é o funesto e dantesco quadro que se apresenta, até poderemos conseguir mais médicos dentro deste modelo degradante e aviltante, verdadeiramente análogo à escravidão, mas continua se esfarelando nas mãos e ações dos atuais protagonistas uma virtude tão grata a todos nós: a vergonha.


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

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Bônus e ônus na administração pública II

sexta-feira, 07 de Fevereiro de 2014 | 19:14

Cada vez mais os partidos políticos estão encontrando dificuldades em completar suas nominatas para os cargos tanto executivos como legislativos. O que se constata é a repetição de nomes e a identificação destes com corporações e segmentos econômicos.

Muitas vezes injusta e generalizada, essa verdadeira xenofobia com relação a todos que ocupam cargos públicos, tem restringido a participação da cidadania, consolidando a expressão pejorativa e odiosa: “mudam as moscas...”.

Sobre esse tema, Martin Luther King resumiu numa frase o que, infelizmente, ainda vivemos na nossa sociedade: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

Na cidade do Rio Grande estamos sob uma nova administração há 390 dias, tempo mais do que razoável para começarem as cobranças. Os descontentamentos e as reclamações com relação à apatia e inapetência dos atuais gestores são crescentes. Até questões nebulosas vão ficando sem resposta, aumentando o desconforto e desconfiança da cidadania. Pasmem, estamos em fevereiro e ainda não foram sanadas questões do carnaval de 2013, pior, pouco ou nada se sabe sobre o evento previsto para 3 e 4 de março próximo vindouro.Independente de quem votamos, temos a exata consciência de que urgem medidas em algumas áreas estratégicas como limpeza urbana, trânsito e obras paradas, para não falar em questões graves como saúde e segurança, que tem também outros responsáveis a nível de Estado e Federação, que se agravam com o tempo.

Reitero que se impõe uma agenda positiva de verdade, negociada com outros interlocutores, já que esses arranjos eleitorais tem se mostrado incompetentes em termos de propostas e resolutividade. A simples troca de seis por meia dúzia, tem se caracterizado numa verdadeira “dança das cadeiras”, tirando um daqui e pondo lá sem critérios razoáveis de aptidão ou capacidade para enfrentar os desafios cada vez maiores e crescentes. Como exemplo, relato uma sugestão que dei quando o Governo do Município completava 90 dias, com relação ao aspecto de abandonado e sujo do nosso centro da Cidade, onde moro e trabalho. Além de transformar-se, cada vez mais, num esgoto a céu aberto por incapacidade e desídia da Corsan, continua premente a substituição desses vergonhosos containeres, que aos pedaços, de há muito perderam a sua finalidade. Registro, a bem da verdade, que a sociedade muito tem contribuído para esse emporcalhamento, colocando objetos e detritos proibidos nos conteineres e ao lado deles, além da falta de fiscalização da Prefeitura e denúncia de quem vê e simplesmente vira às costas.

Uma blitz na Avenida Dom Pedro II, entrada oficial do único porto marítimo do Estado foi sugerida por este colunista há 12 meses, independente de responsabilizações sobre o não andamento das obras ali em curso. Dias atrás recebemos turistas europeus que estavam a bordo de um suntuoso cruzeiro, imagino que impressão levaram da Cidade berço da civilização gaúcha.

Como comunicador, contribuinte e cidadão tenho tido a melhor das boas vontades com os atuais dirigentes municipais, tanto que tenho perseverado em divulgar as idéias e demandas que diariamente chegam até os veículos onde atuo, e dos mesmos continuo aguardando um gesto nobre e de grandeza de poder colher opiniões e sugestões com humildade, visto que foram eleitos para fazer o que precisa ser feito, independente de grupos de apoios e ideologias.

O ônus de quem administra o que é publico é imensurável, pela cultura, conforme expus acima, e, também, pela incapacidade natural do atendimento de todas as demandas, cabendo-lhes escutar a exaustão todos os segmentos e decidir com razoabilidade. Não ficando refém de acertos políticos para o preenchimento de cargos, menos ainda de promessas eleitorais, nem sempre exeqüíveis, nem sempre prioritárias.


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

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Minha Mãe, Minha Amiga, Minha Filha

terça-feira, 04 de Fevereiro de 2014 | 12:17

Há pouco mais de uma semana perdi minha Mãe, Alfa Amaral Alfaro, que faleceu com a idade de 85 anos. Natural de Santa Vitória do Palmar veio para Rio Grande no inicio da década de 50, acompanhando meu Pai Alberto Ireneo Alfaro, que deixava sua então profissão de tratador de cavalos de corrida, para trabalhar como operário na Refinaria de Petróleo Ipiranga. Morávamos junto à tela da Empresa e lembro que os tempos eram de dificuldades, porém jamais tivemos qualquer necessidade maior, a Refinaria já cuidava da família de seus trabalhadores com programas sociais até hoje marcados em nossas vidas.

Além de mim, nossa família era completada com meu irmão Luiz Carlos. Fruto do trabalho obstinado do meu Pai, homem que jamais aceitou o que o destino parecia ter-lhe reservado, iniciamos os estudos num colégio estadual para na quinta série sermos matriculados em escolas particulares, por insistência da nossa Mãe, que era particularmente severa com relação ao aproveitamento nos estudos. Posteriormente, veio juntar-se ao nosso núcleo Carmen Lenira de Ávila Pinto, também de Santa Vitória. Afilhada dos meus pais criou-se junto conosco, como irmã e filha. De espírito alegre, minha Mãe sempre reuniu pessoas ao seu redor, indo para a cozinha preparar gostos pratos para todos. Vinda de uma família de 13 irmãos incutiu-nos a necessidade de valorizarmos os amigos e vizinhos, respeitar a todos, especialmente os professores e os idosos. Desde sempre tinha uma preocupação com os outros, desenvolvendo ações de solidariedade pela vida inteira. Inicialmente, recebendo em nossa modesta residência parentes e amigos, que vinham de Santa Vitória em busca de assistência médica, passeio ou estudos, inclusive, muitos concluíram faculdade com o apoio indispensável da “Tia Alfa”.

Conterrâneos “mergulhões” denominavam-na de “Consulesa de Santa Vitória” como uma homenagem por toda essa trajetória de identificação com seu torrão natal e de transformar a sua residência numa verdadeira casa de passagem, consulado informal. Desde a fundação do “Movimento Solidário Colméia”, aqui em Rio Grande, tornou-se ativa voluntária e liderança inconteste, aceitando até meses antes do seu passamento todas as funções que lhe foram confiadas.

No blog e também no nosso “Folha Gaúcha” ocupei-me em artigos e crônicas, denominados “Ensaios sobre a Velhice”, em relatar experiências maravilhosas vivenciadas com a minha querida Mãe, onde relato esses quase sessenta anos de convivência, onde tive o prazer de exercer três papéis: filho, amigo e pai, nestes últimos anos. Registrei a Ela muitas vezes, inclusive, no final de que a sua vida foi uma daquelas dignas de ser vivida, que efetivamente valeram à pena.


Escrito por Alberto Amaral Alfaro

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Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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