Logo Alfaro
Fale com o Alfaro
Promovendo cidadania com informação
banner Alfarobanner Alfarobanner Alfaro

Das radiações... para a SAUDADE...

quarta-feira, 28 de Abril de 2010 | 12:39

Prezados Amigos,

Desculpem a falta de notícias! Na maioria das vezes nossa ausência pode ser explicada por períodos intensos de trabalho ou por situações singulares em nossa família... No meu caso, podem acreditar, quando eu não dou sinal de vida, as razões sempre são conjugadas: família e trabalho. Meu marido (o Zé, lembram?) pega no meu pé (acho que o Alfaro combina alguma coisa com ele) fazendo com que eu me sinta bem culpada pelos atrasos. Mas eu tenho tentado preparar um bom artigo para vocês.

Pensei em começar conversando sobre os efeitos que as radiações eletromagnéticas, cuja fonte natural é o Sol, causam em células e organismos. Este tema é hoje um dos objetos de estudo ao qual dedico minha vida profissional. Tenho orgulho de dividir com vocês que este tema já produziu dissertações de mestrado e teses de doutorado, sob minha orientação ou co-orientação, traduzidas em publicações de artigos científicos internacionais. Vamos começar falando daquelas radiações solares que atingem a atmosfera, interagem com os seres vivos e produzem efeitos biológicos significativos. Estes efeitos são tão importantes que fontes artificiais de radiações são produzidas e utilizadas para fins estéticos, diagnósticos, terapêuticos, entre outros.

Tenho certeza que teremos muito para conversarmos e discutirmos sobre este tema e, muito em breve, o primeiro artigo sobre o assunto estará no blog. Este artigo era para estar publicado na semana passada; entretanto circunstâncias imprevistas e muito tristes fizeram com que o seu final fosse interrompido. A conseqüência disso foi um total vazio, uma sensação de impotência tão grande que tornaram meus pensamentos e idéias sem sentido e sem conexão. Foi preciso dar um tempo (mais um) para recomeçar... E eu não posso recomeçar falando das radiações. Antes eu preciso falar da tristeza que eu e meu marido sentimos ao ver amigos nossos, tão queridos, passarem por uma dor que, no nosso entender, não pode ser comparada a nenhuma outra: a perda de um filho querido.

Falar de perda é falar de saudade!

Uma vez eu ouvi de alguém, que tentava definir saudade, dizer que este sentimento é “aquilo de bom que fica daquilo que não ficou”. Eu consigo entender (e sentir) essa definição. Quem já não perdeu pessoas próximas e marcantes em nossas vidas? Quem já não se perguntou como continuar vivendo e acreditando na vida depois destas perdas? Quem já não chorou, ou chora, ou chorará a falta de um filho (a) que está longe, às vezes nem tão longe mas impossível de ser alcançado naquele exato momento que o nosso coração reclama a sua presença?

Eu tenho a minha filha Bianca e meu genro Rodrigo em Porto Alegre. Eles estão felizes, construindo seus futuros, crescendo em seus sentimentos e conhecimento profissional... E as vezes é difícil não tê-los juntinho de mim. É aquela comidinha gostosa, é aquela confraternização familiar onde só faltam os dois... e lá vem a saudade cutucar o coração da gente! Mas a gente “tira de letra”, como dizem os mais jovens. Afinal, é assim que a vida caminha!

Mas o que dizer para os nossos queridos Dalton, Beth, André e Duda?

Como transformar nosso conforto, nosso carinho e nosso abraço num consolo mágico que possa minimizar a dor que sentem? Como pedir a eles que não sintam saudades de alguém como o Rogério, filho e irmão querido, que soube cativar a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele, mesmo por poucos períodos? Essas perguntas são impossíveis de serem respondidas, simplesmente porque são impossíveis de serem atingidas!

O que queremos dizer a vocês, queridos amigos Dalton, Beth, André e Duda, é que embora não possamos avaliar a medida da dor de vocês (sabemos ser ela imensurável) estamos aqui, juntinhos de vocês, a cada dia, em cada oração, em cada abraço e gesto de carinho. Pedir que vocês vivam um dia de cada vez, suportando a saudade dia a dia, apoiados na união e no amor que une esta família. Não projetem demais o futuro, a saudade ganha dimensões gigantescas quando a gente faz isso. Busquem forças e fé a cada dia. Esta forma de aprender a lidar com a dor e a saudade eu aprendi com “heróis da vida”, os membros dos alcoólicos anônimos, que buscam força para garantir “24 horas de sobriedade” na tentativa de manter sobre controle a doença que possuem. Eu posso hoje! Eu resisto hoje! Eu suporto a saudade hoje! Quando chegar o amanhã, ele será o hoje e ele, e somente ele, será o desafio naquele momento.

Assim a vida vai caminhando, o tempo vai passando, novos acontecimentos ocorrem, novas alegrias chegam, novos amores preenchem nossos corações...

Sabemos que o Rogério sempre será lembrado e amado. Esta morte, humanamente concebida como prematura e sem sentido, no conforto da fé, é a certeza de que ela não é o fim. Acredito que seja um começo de uma nova e abençoada vida.

Queridos Dalton, Beth, André e Duda, fiquem com o nosso silêncio, nossas orações e todo nosso carinho!


Escrito por Profa. Gilma Trindade

Comentários (1) | Indicar um amigo


^ topo

QUEM SOU

Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

ENTREVISTAS

O QUE EU LEIO

ÚLTIMAS 10 POSTAGENS


Ouça a Rádio Cultura Riograndina

ARQUIVOS

WD House

Blog do @lfaro - Todos os direitos reservados