Prof. Nerino Dionello Piotto
Articulista Econômico - Empresário ramo imobiliário - Aposentado do Banco Central do Brasil.
O exemplo, diz o ditado, vem de cima. E o Supremo Tribunal Federal tem dado o exemplo. Os recentes votos, pela condenação de delinqüentes e quadrilheiros políticos, dos ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, são peças épicas que marcam de forma espetacular nossas histórias social, econômica e política contemporâneas. E balizam o agir de nossas Instituições.
O volume brutal de cargos de confiança no Brasil à disposição dos Governos tem sido um dos entraves ao desenvolvimento. Explico. Não adianta ter uma Presidente, como temos, que manda tocar o barco, um Governador, um Prefeito que façam o mesmo, se algumas peças da máquina não respondem adequadamente.
Há Instituições melhor apetrechadas, como a Justiça, a Polícia e Receita Federal, o Banco Central, que captam os sinais emitidos pelo Supremo e agem com maior celeridade. Haja vista a recente prisão de mais um banqueiro, decretada pela Justiça Federal, de Luiz Índio da Costa, ex-diretor do Banco Cruzeiro do Sul ( que teve sua liquidação decretada pelo BC ). Sentimos, lamentavelmente, que há um desassossego no seio de determinadas Instituições com as tentativas de aparelhamento de seus órgãos com nomeações para cargos-chaves ( e de confiança ) de pessoas de fora do quadro concursado. Precisamos refletir sobre o tema!
Os entraves afetam, de forma mais dura, a vida dos mais humildes. Exemplifico: O número de empregadas domésticas que tem conta no Fundo de Garantia( FGTS) é de apenas 5% do total de 2 milhões de profissionais com carteira assinada. Ah! O recolhimento é opcional, é por isso? Não, muitos patrões querem recolher e dar esse direito a suas “secretárias do lar”. Mas, a bur(r)ocracia é tanta, que muita gente desiste. O empregador teria que ter um curso de Técnico em Contabilidade para seguir os passos de forma correta: Entrar do Site da Receita para obter o cadastro; Se a empregada não tiver PIS/Pasep, será necessário obter no Site da Previdência Social o Número de Inscrição do Trabalhador ( NIT); Com o cadastro do empregador, é necessário ter certificação digital no padrão ICP-Brasil. Até se pode recolher o FGTS sem ele, mas, na hora do saque, somente com o certificado é possível emitir o termo rescisório. É brincadeira! Ou parece!
Mais um exemplo: O Cadastro Positivo, bela idéia que poderá resultar em juros menores para quem tiver o nome limpo, patina na bur(r)ocracia. Tenhamos a esperança de que Prefeitos que começam a trabalhar em janeiro reflitam e nomeiem pessoas realmente gabaritadas para a ocupação de cargos de confiança. Nada contra a indicação política, desde que haja a correspondente competência técnica. As revoluções e soluções práticas, não raro, surgem nas bases.
Pensem nisso! nerinopiotto@globo.com
Assim como os discos de vinil, as mídias de fitas Ksete, disketes ( que não se encontram mais à venda ), os discos que estão substituídos pelos “pen-drives”, a tendência – rápida – é de que os enormes “desktops” e os pesados “notebooks” estejam com os dias contados.
A mobilidade e a conectividade lideram essa transição.
Durante esta semana aconteceu aqui no Rio de Janeiro o maior congresso de telecomunicações da América Latina, o FUTURECOM. Representantes de governos e de empresas discutiram os rumos e as oportunidades do setor. Um espanto!!!
Cezar Taurion, diretor de novas tecnologias da IBM Brasil afirmou que “ as pessoas andam nas ruas com servidores nos bolsos e todas as informações estão guardadas na nuvem”. Soa como exagero? Não é. Há poucos anos um servidor ocupava uma sala, ou várias. Hoje, cabe no bolso.
A produção de “chips” para computadores está em queda livre e a produção de “chips” para “tablets” e “smartphones” faz a trajetória inversa. Essa tendência reflete-se no valor de mercado de companhias como a Dell e Hewlett Packard ( HP ), reconhecidas por seus “desktopos” e “notebooks”. Suas ações, nos últimos doze meses, caíram 37,19% e 38,26.
Agora, o valor de mercado daquelas que apostaram em dispositivos móveis e aplicações na internet, como a Apple e Google, cresceram 72,53% e 52,10% respectivamente.
O mundo – é inevitável – está se tornando cada vez mais “wireless”, ou seja: sem fio.
No Brasil, mesmo com preços muiiiiiiito acima dos preços cobrados nos EEUU, p.ex., a venda de “tablets” aumentou no segundo trimestre deste ano em 64%, ao passo que o aumento na venda de “desktops” foi de apenas 2%. Os números são cruéis e mostram a tendência.
Até as crianças estão rejeitando tecnologias ainda em uso. Outro dia, aqui em casa, no Rio, o neto de um professor da FURG, com apenas 3 anos, pegou um celular de tecla e falou para o pai dele, médico formado na FURG: “ pai, não funciona, está estragado”. Não entendi e o pai dele me explicou que, para ele, qualquer aparelho que não tenha tela “touch”, como a dos “tablets” e “iphones”, por exemplo, não funciona. Ou seja: quem não se adaptar logo vai ficar excluído de muitas atividades. Eu que achava um absurdo o Banco Central jamais aceitar declarações de depósitos no exterior impressas, só através da internet, e a Receita Federal idem com as declarações de ajuste de IRenda , já suspeito que nem isso – breve - vamos precisar fazer mais, apenas confirmar ou não, “on line” informações e/ou a cobrança de impostos.
Pensem nisso! E atualizem-se senão quiserem ficar a ver navios.
Economista*
Alberto Amaral Alfaro
natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.