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Inexperiência 1984

segunda-feira, 10 de Outubro de 2011 | 14:16

Santa Vitória é terra "pindorama e Santa Fé".

Santa fé é o nome de uma Gramínea de folhas longas e finas com gumes afiadas, muito usadas para cobrir casas e galpões no meio rural, lindos quiosques à beira mar e em condomínios.

Crescido no campo, aprendi a lida forçosamente por uma questão de sobrevivência. Lá o serviço começava cedo e não tinha hora para terminar.

Mudou com o tempo!

Claro!

Os sindicatos chegaram ao campo ditando regras na década de 80 e eu ainda o freqüentava intensamente.

Bah! Tem que conhecer a diferença para traçar um perfil. Atualmente o campo oferece ótimos empregos com moradia aconchegante, entretenimento, feriados, férias, deslocamento..., com serviço saudável, bem remunerado e longe desta vida de labirinto no trânsito, sons excessivos, e "aperta mentos" nas cidades.

Outrora os engenheiros agrônomos, agrícolas e veterinários faziam estágios no meio rural.

Lembro que na mesma época referida, lá estava Alberes, estagiando numa granja de arroz, e se alojava em minha casa, á oitenta kilometros da cidade.

Certo dia, fomos para um baixio onde havia um reduto de palha "Santa fé".

Os homens que fazem o corte se vestem para esse propósito: bota de borracha, Calça de brim, jaquetão, luvas e sobre tudo uma armação de couro para o lado esquerdo do corpo, (perna e braço).

Alberes, moço da cidade, afoito queria aprender tudo na pratica. Prá isso investiu no corte da santa fé: passava a perna na moita, com um braço separando o feixe e o outro sacudia o "podão".

À noite, Alberes, apresentando um ar de desconforto e cansaço, comentava da lida primitiva e da maneira solta de ser no meio rural e complementou dizendo:

- O dia foi proveitoso, só não tô agüentando a dor na canela, devo ter espetado um espinho!

A luz de bateria fui ver do que se tratava.

Entre pequenos cortes nos braços e bolhas nas mãos ele ostentava na perna a cima do cano da bota um hematoma, roxo, com vincos assustadores.

Defini ser uma picada de cobra.

Tive que levar Alberes imediatamente para a cidade, aonde chegou mal com febre e vômitos convulsivos.


Escrito por Gostaires Gonzalez Acosta

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Morrendo 1970

segunda-feira, 03 de Outubro de 2011 | 16:20

Antenor, um camponês jovem criado no meio rural, conquistou um posto de importância na estância do Pontal. Lá ele era o capataz: guapo, honesto dava conta de tudo e fazia mais que sua função. Cuidava do gado, equinos, porcos, galinhas, guaxos e ainda achava tempo para fazer achas, moirões, aramados e cultivava uma linda hortinha.

O tempo foi passando e Antenor se enamorou duma prenda também jovem, linda mãe dum garoto de oito anos. Pediu autorização ao patrão e levou a mulher pros ranchos para uma vida a dois.

Antenor era só felicidade. Vivia cantando, assoviando e se mostrava ainda mais pontual e prestativo.  O Homem adorava aquela mulher e ao ‘enteado’ dedicava o melhor amor: atencioso e afetuoso era ‘pai’ extremoso.

Fez um cercadinho onde o transformou em jardim, fez balanço e gangorra.

Da horta levava legumes para a casa grande, lenha, água, leite e lindos buques de flores do campo para a esposa do patrão.

Certo domingo de dezembro Antenor, pegou um machado e foi pro mato com a esposa e o menino pra derrubar um eucalipto e fazer uns postes.

Antenor não sabia que aqueles minutos seriam seus últimos de vida.

Tirou a camisa, e decididamente alçou de toda força e conhecimento no machado contra o tronco frondoso da árvore.

Parou por um instante olhou pra cima cuspiu na mão para definir o atrito no cabo do instrumento e se pôs a cortá-la novamente.

O eucalipto chorou, sacudiu nuns “estralinhos” comprimidos e lhe faltou base indo pro chão com brutal rapidez.

Como o corte da cunha não foi de jeito, o caule tropeçou no tronco dando um desvio de rumo apertando Antenor ao meio contra o chão.

A mulher deu uma olhada e saiu dali as presas, correndo a toda velocidade para buscar socorro a o homem que seria seu melhor achado.

O menino ficou ali conversando ainda sem saber da gravidade.

Antenor, homem conhecedor das coisas, ainda meigo e carinhoso mandou o menino em casa para preparar o chimarrão. Só pra não ser visto no momento final.

 


Escrito por Gostaires Gonzales Acosta

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Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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